Publicado em: 03/03/2008 Autor: Thiane Loureiro
A blogosfera norte-americana entrou em polvorosa neste domingo após um artigo publicado por Charlotte Allen no The Washington Post. Realmente o editorial é uma provocação lotada de clichês. Até mesmo uma antifeminista poderia sentir raiva só de ler o título: “Nós gritamos, nós desmaiamos. Quão estúpidas conseguimos ser?”
O objetivo do artigo até que é bem pertinente: criticar milhares de mulheres histéricas que estão praticamente transformando Barak Obama num popstar estilo Beatles. Mas Charlotte poderia ter sido menos… Charlotte.
“Lendo sobre episódios de gritos, desmaios e alvoroços, me pergunto se as mulheres não são mesmo o sexo mais fraco no final da contas”, escreveu Allen (em tradução não-literal). “Ou mesmo estúpido, com nossos cérebros permanentemente ofuscados por emoções sem sentido, manifestações psicossomáticas e distrações superficiais”.
“Obviamente homens fazem coisas bestas. (…) Mas quando homens fazem besteira eles tendem a ser catastróficos. (…) As bobagens femininas são quase inofensivas, mas tão… vergonhosas”, completou Allen.
E as críticas chegam até a incluir dados estatísticos sobre mulheres no trânsito. “É deprimente que vários dos mitos misóginos sobre a inferioridade feminina tenham se provado verdadeiros. (…) A teoria de que as mulheres são o sexo mais idiota – ou pelo menos o que se envolve em mais acidentes de carro – é amplamente apoiada por evidências neurológicas”.
Aqui Charlotte realmente exagerou. E eu comecei a questionar se os blogueiros estão mesmo certos quando acusam jornalistas de usarem seus veículos para publicar “qualquer nota”, sem apuração, credibilidade ou respeito pelo leitor.
Há milhões de formas de elucubrar sobre a atitude do eleitorado feminino de Obama, o sensacionalismo das eleições nos EUA, os erros de campanha de Hillary.
Mas ela realmente transformou um tema relevante numa plataforma sexista e “babaca” e, claro, foi massacrada. O blog Thought Bubbles comentou: “Ela sabe tão pouco de estatística ou sobre como construir um argumento coeso que talvez por isso tenha gasto três parágrafos argumentando sua própria estupidez”.
E o final do artigo de Allen é ainda mais revelador: “Não entendo por que as mulheres não relaxam, aproveitam suas habilidades natas e as coisas mais importantes da vida nas quais arrasamos: carinho para com as crianças, os homens e os fracos e a capacidade de transformar uma casa em um lar. (…) E aí poderíamos berrar, desmaiar, fofocar e ler coisas melosas e românticas sem se preocupar que bem lá no fundo nós somos… meio tolinhas”.
Até eu fiquei com vontade de dizer umas “palavrinhas” para Mrs. Charlotte…
Outros links de protesto:
BlogoWogo
The Garlic
Free Williamsburg
Moue Magazine
Feministing
Media Matters
Thiane
Categorias: Blogosfera, Notícias, Política.
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Afff, essa Charlote deve ter lido muita bobagem como Bruna, Júlia e Sabrina (aqueles romances que só de ler dão diabetes de tão açucarado) um pouco de Jane Austin, George Sand para ela, cairia bem hehehe.
Absurdo o texto da jornalista, mas, pelo parágrafo final, ela falava claramente dela mesma. Devia seguir seus próprios conselhos então e ir para casa, cozinhar.
Pois é, se bobear ela precisa de Camille Paglia ou, como disse a Andrea, de um avental bem chique, combinando com as luvas térmicas!
Até eu, que sou anti-movimentos-feministas, principalmente os radicais, fiquei meio puto com o texto. Realmente, “babaca” é uma palavra que descreve bem os argumentos da moçoila.
Será que ela cozinha tão bem quanto escreve? ![]()
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