Publicado em: 19/12/2008 Autor: Ronald Mincheff
Pela primeira vez nesta década a economia mundial vive um futuro de enormes incertezas. Eu poderia falar aqui de todas as mazelas que estamos atravessando, entre elas o enxugamento de crédito e a queda na demanda que já se instalou no Brasil, mas chegaria à conclusão óbvia: a economia está doente. Farei algo diferente: discutirei saúde e a economia. Por que não?
Como esta reviravolta nos afeta? Folheando o jornal ou navegando na web, vê-se que os anúncios de férias coletivas se tornam mais freqüentes por aqui, ainda em proporção menor às demissões em massa em países desenvolvidos. Por temor sobre o próximo ano, muitos escolhem adiar uma compra e colocar o dinheiro na poupança – o que é praticamente o “colchão”. E esse comportamento também abrange também escolhas referentes à saúde. O estudo HealthEngagement Barometer, realizado pela Edelman, aponta que a crise financeira leva as pessoas a adiarem ou suspenderem cuidados com saúde além de causar uma deterioração dos hábitos saudáveis.
Diante deste cenário difícil em que o cidadão coloca até a própria saúde e de sua família em segundo plano, é fundamental que as empresas de saúde – serviços e produtos – mantenham os olhos atentos para a população, ouçam o que ela diz e ajam de acordo para garantir o bem-estar geral. Segundo o estudo da Edelman, 75% dos adultos responderam que é cada vez mais importante que o setor de produtos e serviços de saúde os abordem. E quanto mais relevante para a saúde, maior o porcentual de adultos que esperam por esta aproximação. Segundo destaca o HealthEngagement Barometer, os seguintes percentuais de adultos entrevistados esperavam um maior contato do setor de saúde nos seguintes tópicos:
• 76% – medicamentos com prescrição
• 73% – hospitais
• 69% – medicamentos sem prescrição
• 63% – agências de saúde do governo
• 61% – companhias de saúde
• 58% – ONGs
No mundo, percebe-se uma relevância maior da voz das pessoas em assuntos relacionados à medicina. E dentro deste grupo, 22% deles buscam ativamente informações toda semana, compartilham estes dados e estão envolvidos com saúde. No HealthEngagement Barometer, estas pessoas são denominadas Info-Entials. Se em uma pequena proporção as pessoas ouvem a orientação de um médico e a compartilham com um grupo de não-especialistas – como familiares, amigos e comunidades na web –, os Info-Entials levam a discussão para outro nível: 88% deles afirmam que geralmente comprovam com um médico a informação que obtém via internet e 88% deles consultam outras fontes sobre as informações obtidas com o médico.
Diante desta valorização da opinião de não-especialistas, vez ou outra se discute sobre como as empresas do setor de saúde poderiam agir. Em um post recente o executivo responsável pela divisão de saúde no escritório espanhol da Edelman, Javier Boix, reflete se deveria haver qualquer aspiração para controlar o que os clientes do setor de saúde dizem. A resposta é não. A meta é promover a discussão de forma clara, transparente e convidativa. Exemplo: os seguros para mulheres que estão grávidas ou podem engravidar são mais caros na Espanha. Eis que a Sanitas, a principal seguradora privada na Espanha lançou o blog bebesymas.com, um fórum de discussão que mamães e futuras mamães conversam com especialistas em cuidados com o bebê. O resultado é um diferencial de marca e uma melhor reputação.
O que esperar de 2009 por esta perspectiva? Será que, por conta da crise, os Info-Entials representarão metade do grupo e terão uma relevância ainda maior? Os gastos tendem a diminuir, mas a discussão, não. Enfim, o tempo dirá.
Aproveito para deixar aqui meus desejos de esperança para um 2009 de muita superação!
Boas festas e ótimo ano novo!
Categorias: Comunicação, Marketing, Negócios.
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