Publicado em: 30/01/2007 Autor: Ronald Mincheff
Os brasileiros apostam nas empresas pelo terceiro ano consecutivo, de acordo com o Estudo de Confiança da Edelman 2007. E não é de se espantar!
O Brasil é o quarto país com o maior índice de credibilidade nos negócios (65%), perdendo apenas para China, Índia e México. Já o índice de confiança do governo no Brasil é um dos piores. Caiu pela metade de 2005 (42%) para 2006 (21%) e permanece baixo com apenas 28%, em 2007. Os escândalos nos últimos 18 meses explicam esse resultado.
Em contrapartida, a confiança na mídia aumentou 10% em relação ao ano passado, pelo seu papel decisivo durante esse mesmo período. Além de tentar descobrir quem estava envolvido com os escândalos, cobrou do governo uma posição.
Diferente do governo que não abriu o jogo e não esclareceu os fatos para o público, as empresas dialogam muito mais com os consumidores. As políticas de comunicação no setor privado mudaram a relação da empresa com o seu público. E a tecnologia veio para ser mais um aliado dos empresários, para quem topar as regras do jogo. As novas mídias tornam as estratégias das empresas que querem ser transparente e escutar o outro lado mais fáceis.
O espaço deve ser aproveitado e estudado pelas empresas, de maneira séria e mais efetiva. Quase são as melhores estratégias para atingir o seu público que é seu grande porta-voz? Neste cenário, nós comunicadores, conquistamos cada vez mais espaço e maior atenção.
Mas ao mesmo tempo, temos que tomar cuidado, pois estamos lidando com clientes exigentes. Mais uma vez os líderes de opinião de todos os países pesquisados mostraram que se importam mais com a qualidade dos produtos e serviços do que com o preço. No Brasil, enquanto 48% confia mais em empresas com produtos e serviços de qualidade, apenas 4% dá credibilidade para empresas com preço justo para serviços ou produtos. E quando o brasileiro não confia na companhia, 85% se recusa a comprar seus produtos e serviços e 78% compartilham a opinião negativa.
Os consumidores brasileiros exigem das empresas um novo modelo de comunicação. A fonte de informação com maior índice de credibilidade é a ‘pessoa como eu’, nesta questão o Brasil está em primeiro lugar com 88%. Noventa por cento acha que as companhias precisam escutar melhor os clientes e 60% considera a empresa responsável quando o tratamento dado aos funcionários é justo. Por isso, o foco da preocupação deve ser aqueles que realmente definem a imagem das empresas: funcionários e consumidores. E o que eles querem é jogo simples e cartas na mesa.
Portanto temos um quadro bom para o nosso lado: novas mídias e maior contato com o público. Mas também temos que nos estruturar melhor para atender esse público que fica cada vez mais exigente, principalmente aqui no Brasil, e com um grande poder nas mãos: sua voz.
*Artigo da Coluna do Ronald Mincheff no Jornal da Comunicação.
Categorias: Comunicação, Variedades.
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