Publicado em: 25/05/2007 Autor: Andréa Faustino

A última edição da The Economist (www.economist.com) traz uma matéria de capa sobre o legado de Tony Blair durante os últimos dez anos. Mais do que um texto inteligente e envolvente, acrescido de uma análise criteriosa, a revista (sem dúvidas, a melhor publicação do mundo) revisa os atos do primeiro ministro britânico desde a sua posse, em 1997.
The Economist relembra o passado, apontando erros e acertos. Discute o presente. E tenta ainda indicar o que virá depois que ele sair de cena, no dia 27 de junho deste ano. Recheada de fatos, pesquisas e números, a revista não fica em cima do muro. Ao contrário, toma partido. Aponta erros e acertos do governante. Chega a dizer que os britânicos estão decepcionados com o governo de Blair, cuja popularidade chega a ser negativa, mas que a história mostrará que os britons estavam errados. À certa altura, a revista afirma que “we have no regrets in having supported him”. Fantástico, simplesmente fantástico! Pois mais uma vez a revista prova que é possível, sim, tomar partido e mesmo assim ser criterioso e não deixar se vender para uma fonte.
Pena que o mesmo não aconteça pelas nossas bandas. Com raríssimas exceções - talvez a única situação semelhante tenha sido a capa da revista Veja sobre o desarmamento no Brasil como comentei neste mesmo blog no dia 27 de abril de 2005 no post Coragem para dizer não - os grandes grupos de mídia no Brasil procuram ficar bem na foto com todo mundo. Muitas vezes deixam de informar a notícia, requentam matérias e abusam dos sujeitos ocultos (leia-se entrevistas em off).
A última lambança toma forma agora mesmo. Basta ver a cobertura que a mídia está fazendo sobre a Operação Navalha. É sempre mais do mesmo, sem novidades ou criatividade. Certo está o Alberto Dines, do Observatório da Imprensa, que afirma que os jornais não conseguem se desvencilhar das rotinas e formatos habituais… (http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=434IMQ008).
Falta vida! Falta ousadia! Até quando?
Alexandre Alfredo
Categorias: Imprensa.
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Alê, do ponto de vista e da ousadia, as matérias do Guardian também são fabulosas. É o que eu gostaria de ver nos jornais brasileiros. Algo próximo, por incrível que pareça, só mesmo na Trip e na Rolling Stone.
Até mais!
Aliás, o site é http://www.guardian.co.uk.
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