Publicado em: 06/08/2008 Autor: Thiane Loureiro
Recentemente a McKinsey soltou uma pesquisa com 1.988 executivos do mundo todo intitulada: “Building the Web 2.0 Enterprise“. De acordo com o estudo, cerca de 60% dos entrevistados estão satisfeitos com as ferramentas adotadas por suas companhias. No entanto, a América Latina foi a região que menos demonstrou satisfação (13% apenas, contra 40% na Ásia e 20% na América do Norte). E entre os descontentes, as principais razões apontadas foram a pouca capacidade de medir retorno financeiro, culturas corporativas inadequadas e a falta de entusiasmo da liderança.
Blogs, RSS, wikis e podcasts são as plataformas mais utilizadas, sobretudo para atender demandas internas. Das corporações satisfeitas, 21% estão muito ou extremamente contentes. Cerca de 26% disseram que essas ferramentas mudaram a interação com clientes e fornecedores, e 33% afirmaram que novos cargos surgiram em função dessas iniciativas. A “co-criação” no processo de desenvolvimento de produtos é um dos principais objetivos das corporações que implementaram a Web 2.0.
As empresas que demonstraram os melhores níveis de satisfação foram aquelas nas quais mais da metade de todos os funcionários aderiu às plataformas. A adesão dos colaboradores foi encorajada pela introdução dessas ferramentas como parte de uma estratégia, em conjunto com outras ações, de forma integrada às plataformas já existentes e com líderes como usuários exemplares. Mas a pesquisa afirma que a utilização da Web 2.0 ainda é baixa e somente um em cada quatro funcionários adota as plataformas.
Bem, acho que os resultados são bastante óbvios. Sem uma mudança de cultura interna e sem a adesão ou apoio da liderança, dificilmente a Web 2.0 se torna parte do dia-a-dia das empresas ou apresenta benefícios. Na corrida desenfreada pelo buzz, muitas organizações implementaram essas ferramentas sem planejamento e sem estarem preparadas para isso.
Na América Latina, há muita afobação por seguir o que acontece lá fora, mas poucos fazem a lição de casa necessária para que essas inovações dêem realmente certo. Talvez por isso o índice de satisfação seja baixo. E quando a mesma matemática das mídias tradicionais é aplicada à Web, a conta nem sempre sai muito atraente. De qualquer forma, a McKinsey afirma que os investimentos em Internet vão continuar crescendo. Volto, então, a insistir em mais educação de mercado para que os paradigmas de fato mudem.
Categorias: Blogosfera, Comunicação, Marketing, Negócios, Tecnologia.
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Na sua opinião, Thiane, qual seria o melhor caminho para aplicar essa educação de mercado que você citou no último parágrafo? Faço esta pergunta pela dificuldade que existe na hora de vender projetos com foco em ferramentas de colaboração, em grande parte pela resistência dos clientes às novidades e o eterno medo de sair da zona de conforto.
Oi Alexandre, acho que a imprensa precisa passar a dar menos importância para o buzz e mais ênfase na comunicação sustentável e na necessidade das empresas em criarem relacionamentos com todos os seus stakeholders. Acho que as agências de RP precisam se posicionar melhor. Acho que os eventos de Web precisam abordar temas como gerenciamento de risco e crise online. Bjs
Olá Thiane, concordo com sua posição sobre o mercado. A verdade é que existem alguns fatores sobre a TIC no momento: 1- empresas que entram pelo modismo (e não há planejamento nem desenvolvimento adequado); 2 - as que temem as ferramentas sem nem conhecê-las e 3- profissionais de TIC com conhecimento raso que oferecem esses serviços e acabam não sabendo mensurar e apresentar os resultados as empresas.
Pareço redundante, mas é assim mesmo. No momento há mais especuladores do que agências 2.0 prontas para soluções com resultados.
Olá, Thiane. Tudo bom? É muito interessante os dados apresentados pela pesquisa. Ela retrata, de fato, o momento em que nós, profissionais de comuicação, vivemos. Se para pensar e analisar, o mercado de atuação 2.0 ainda está incipiente. Mas também é importante notar que estamos tendo o privilégio de acompanhar e, mais do que isso, atuar na construção da web, da forma de comunicar nesse ambiente. Estamos descobrindo uma nova maneira de ligar as redes sociais.
A cada nova pesquisa ou notícia sobre o assunto que tenho acesso, fico mais instigado a descobrir como isso pode mudar minha rotina de trabalho. Trazer novas idéias. Meu desafio tem sido exatamente mostrar os resultados que o cliente pode ter ao adotar uma nova forma de comunicar.
[...] Olivier Amprimo, a Thiane Loureiro e o Ricardo Fortes da Costa fazem análises interessantes a este mesmo [...]
Oi Thiane, tudo bem? Tudo isso que vc discute no blog é presente e não futuro, como alguns ingenuamente acreditam. Concordo com a pesquisa: pouca capacidade de medir retorno financeiro, culturas corporativas inadequadas e a falta de entusiasmo da liderança com a web 2.0 são ainda os empecilhos para se ver a preponderância dessa mídia. Mas o Brasil chega lá.
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