Publicado em: 10/10/2007 Autor: Thiane Loureiro
Esta semana, várias notícias têm abordado o mundo da música e a Internet. Em uma entrevista para o Caderno 2, Bjork comentou que a indústria fonográfica vive no passado. Enquanto um disco leva mais de seis meses para ser distribuído por uma gravadora, num esquema “dinossauro”, hoje vale muito mais a pena para um artista disponibilizar sua obra gratuitamente na Web e obter lucros por meio de shows (os ingressos estão mais caros, mas o público tem sido muito maior). “A relação virtual com a música, em casa, fez com que as pessoas ficassem mais famintas por música ao vivo”, disse ela ao repórter Ricardo Bairos, do Estadão.
Kid Vinil, em outra entrevista no Estadão, desta vez no Link, também afirmou que o futuro da música está na Internet. “Antes, passar na MTV era muito duro. Hoje você tem o Youtube. Se eu vejo uma indicação de um artista que não conheço, procuro os seus vídeos no Youtube, depois ouço suas músicas no MySpace. Já sei logo se é bom ou ruim. É tudo muito rápido e acho isso genial”.
Ainda, na contramão da batalha dos conglomerados do entretenimento contra o download, o MediaPost publicou que o Facebook também vai abrir um canal para bandas. A ameaça para o MySpace surge à medida em que o Facebook começa a agregar todas as redes sociais em uma só, facilitando o gerenciamento de perfis, contatos, e-mails, grupos e divulgações. E é mais um sinal de que o MP3 continuará formando exércitos difíceis de serem derrotados. O mais recente líder da legião DRM Free é o Radiohead, que acaba de colocar o novo álbum “In Rainbows” à venda pelo método “pague quanto quiser”. Basta fazer uma “doação” para ter o direito de baixar o disco (um arquivo zipado de 48,4 MB, segundo Henrique Martin, do Zumo).
Isso tudo me lembrou de uma série de artigos da revista Rolling Stone sobre o declínio da indústria fonográfica nos Estados Unidos. De acordo com as reportagens, em 2000 foram vendidos 785 milhões de discos e os 10 artistas que mais vendiam álbuns representavam cerca de 60 milhões de cópias. Em 2006, o total de vendas foi de 588 milhões discos (CDs e downloads) e os “top-ten” caíram para 25 milhões de cópias.
Em contrapartida, foram vendidos mais de 582 singles na Internet e os ringtones arrecadaram U$ 600 milhões. Mas, infelizmente, o modelo de negócios das gravadoras não permitiu que essas cifras alavancassem seus faturamentos, levando à demissão de mais de cinco mil pessoas desde 2000 e ao fechamento de mais de 2.700 lojas de discos em quatro anos.
Parece um pouco absurdo que uma indústria que prega modernidade e que lida com as celebridades mais descoladas, engajadas, loucas, irreverentes e inovadoras do planeta se mantenha tão retrógrada e cega diante de tamanha mudança no comportamento de seu consumidor. Por culpa dessa mesma indústria — que passou pelo menos uma década tentando obter lucros exorbitantes ao investir massivamente em artistas de sucesso relâmpago (e fulminante) –, os jovens não se importam mais em colecionar discos, pagar pela arte da capa, e não mais acompanham um grupo do começo ao fim da carreira.
Poucos também são aqueles cuja obra se torna – nos dias hoje – indispensável para a cultura e a herança musical de uma geração.
Então, chega a ser contraditório querer continuar vendendo CDs inteiros, quando bastam algumas canções para saciar as necessidades desses “fãs”. Ou quando boa parte dos artistas conclui seu legado em uma ou duas faixas.
Esperar obter a mesma lucratividade nos “novos” tempos (nem que para isso seja necessário sair por aí processando mais de um bilhão de usuários de Internet pelo mundo) é quase brincadeira de mau-gosto, já que claramente todo o modelo de negócios precisa ser repensado.
A mentalidade precisa mudar urgente! Mas, pelo jeito, as gravadoras preferem continuar gastando os trocados que restam com advogados que ainda acham possível que a humanidade volte atrás no tempo.
Thiane Loureiro
Categorias: Tecnologia.
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Olá Thiane. Acabei de ouvir o disco do Radiohead pela 10ª vez seguida. Quer saber? Se o próximo vier ´parecido´ com este, sem dúvida pagarei para adquirí-lo.
No entanto, é bem provável que o próximo não lembre nem de longe este trabalho. RADIOHEAD é sempre mutante!
Ótimo artigo! Não sei como as bandas se comportarão daqui para frente, mas é bem provável que surjam novas atitudes como a da banda de Thom Yorke. Vamos torcer, porque afinal de contas, quem sai ganhando somos nós e os artistas.
-Rodrigo
geracaointernet.com
Concordo plenamente. Nós e artistas saímos ganhando com certeza. E valeu por comentar. Beijos
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