Publicado em: 10/01/2008 Autor: Ronald Mincheff
Outro dia fui resolver aquelas coisas que a gente só faz na base da pura obrigação. Passei o sábado na oficina consertando meu automóvel. Comecei minha carreira como jornalista na revista Quatro Rodas e não, eu não entendo nada de rebimboca da parafuseta, mas até que aprendi a ir sozinha ao mecânico. Aí reparei que todos os homens não carregavam uma Quatro Rodas, mas sim o Jornal do Carro. Ok, dois propósitos diferentes, é verdade. Mas não pude deixar de associar isso aos blogs – tá bom, você vai dizer que a comparação é esdrúxula, mas tente chegar até o final do meu raciocínio. Enquanto a Quatro Rodas é aquela coisa suntuosa, com milhares de exemplares de tiragem, testes feitos com o investimento de milhares de reais em equipamentos para medições mil, o Jornal do Carro parece o tal do “primo pobre”, meio “miguxo” e tudo mais. Mas ao contrário do que diz a minha percepção (ainda acostumada a achar que os “maiores”, os mais volumosos ou mais bonitos são os “melhores”), o Jornal do Carro resolve muito mais a vida dos consumidores, com ofertas de pneu, pára-choque e endereços onde é possível economizar mais de 50% no preço do alinhamento em comparação com a concessionária. Com os blogs acontece a mesma coisa. Ficamos ávidos em correr atrás da lista top da blogosfera. Com mais cliques, mais links, mais Adsense, mais popularidade. E aí muitas vezes esquecemos justamente daquele “pobrinho”, que Brian Solis brilhantemente chama de “Magic Middle”. Aquele cujo blog recebe mais ou menos entre 20 e mil links, mas que é mantido apenas pela paixão por escrever e pela fidelidade daqueles “míseros” leitores que passam por ali toda semana. Sim, os tops da blogosfera são importantes – muito importantes — da mesma forma que a Quatro Rodas precisa constar da lista “A” de contatos de qualquer montadora ou fabricante de autopeças. Mas muitas vezes é o miguxo que traz uma maior identificação com seus pares e que de fato influencia pessoas comuns, as tais que vão ao supermercado, ao shopping ou que comentam algo com o vizinho e passam adiante a reputação de uma empresa. Ok, esse cara “só” fala com 20 pessoas. Mas, como ele, há vários outros, ao passo que a lista de blogueiros que se relacionam com milhões fica limitada a alguns poucos. E boa parte dessa lista está concentrada em escrever sobre tecnologia ou a própria Web, mas às vezes o objetivo é só falar do pára-choque – e é bem mais provável que o miguxo faça isso e não o bambambã. Portanto, ainda temos muito que aprender com a Internet nos dias de hoje. Trazer o “Long Tail” para o marketing e as relações públicas e abandonar o velho hábito dos rankings que na Web querem dizer muito pouco pra muito pouca gente.
* Artigo publicado pelo portal JumpExec
Categorias: Blogosfera, Tecnologia.
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