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Ei! Expressões de Idéias.

  1. Ouvir o que não quer é mesmo muito difícil

    Publicado em: 26/06/2008 Autor: Thiane Loureiro

    Estive 10 dias de férias recentemente. Fiz tudo via Internet: passagem de avião pelo Decolar.com e hospedagem pelo HostelBookers.com. Deu tudo supercerto. Cheguei lá e o hostel era exatamente como descreviam os ratings, bem simples, mas muito limpo com um atendimento bastante atencioso e um café da manhã bem razoável.

    Obviamente, como seres humanos que somos, temos impressões distintas sobre coisas iguais. Assim como várias coisas me agradaram, considerei que várias outras deveriam ser aprimoradas no hostel, embora a minha estadia lá tenha sido muito confortável.

    Cheguei de volta ao Brasil e recebi vários e-mails solicitando que eu fizesse o “rating” do hostel. Estou absolutamente tranquila de que as minhas notas estão condizentes com a minha experiência. Ok, talvez eu tenha sido um pouco dura em alguns quesitos da avaliação, mas nada que, na minha opinião, comprometesse as outras notas altas que eu dei para itens como limpeza, bom atendimento, etc.

    Para minha surpresa, o gerente do hostel, que me tratou tão bem enquanto estive hospedada no estabelecimento dele, me enviou um e-mail pra lá de grosso, praticamente me chamando de menininha mimada e me acusando causar um prejuízo de “thousands of Euros” pelas perdas que eles terão daqui por diante com as baixas nas reservas. Detalhe: no questionário, apenas preenchi aquelas bolinhas das notas e não fiz um comentário escrito, nem entrei em detalhes.

    “I just saw your rating of our Hostel in the Internet. Could you please tell me what you have to complain about facilities and what is wrong with value? What have you missed? A Whirlpool? I am really very disappointed about this rating! I would not have expected that bad rating from you!!”, disse a pessoa no primeiro e-mail. Esse “Whirlpool” imagino que queira dizer banheira ou piscina… Enfim…

    Vejam bem, estamos falando de um hostel cujas reservas só são feitas via Internet e que teoricamente deveria estar acostumado a ouvir críticas e promover melhorias. Mas, de novo, somos seres humanos e quantas pessoas vocês conhecem que sabem realmente ouvir comentários menos agradáveis e admitir que tem defeitos?

    Agora, transfiram isso pro mundo corporativo. Se a exposição online consegue tirar do sério o gerente de um hostel na Alemanha, imaginem os riscos, as pressões e o pavor que um executivo de uma empresa sente toda vez que alguém diz pra ele que o consumidor agora detém o poder e que ele precisa interagir com esse público por meio de uma “vidraça” como a Web?

    Venho dizendo isso há muito tempo e vou continuar repetindo. Não é toda empresa que precisa sair fazendo blog ou ações na Internet. Monitorar e ouvir o que as pessoas estão falando é essencial antes de qualquer ação online.

    Qualquer coisa que uma companhia decida fazer na Web precisa ter muita estratégia, mas precisa principalmente ser condizente com uma cultura organizacional preparada para realmente horizontalizar a comunicação. Há várias lições de casa que precisam ser feitas. Há jeitos e jeitos de ser 2.0 de verdade e do jeito correto.

    Ou existe uma grande chance de empresas, blogueiros e consumidores acabarem numa dessas “briguinhas de jardim da infância” assim como eu e o gerente do hostel. Mais do que falar na Internet, é preciso saber escutar. Tá todo mundo mesmo preparado pra ouvir???

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    Categorias: Tecnologia.

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10 comentários to "Ouvir o que não quer é mesmo muito difícil"

  1. Lucia Freitas disse:

    Pois é, Thiane. Não é de hoje que a gente concorda sobre a experiência de usar a web 2.0 para se comunicar. Ouvir é mesmo fundamental. E se aperfeiçoar a partir de críticas não é fácil - eu sei da minha experiência com a minha empresa, pequenina, e uma simples pesquisa que fiz entre clientes/parceiros ano passado. Até hoje os e-mails estão lá (leio sempre) me guiando nos aperfeiçoamentos.
    Quantos dão conta disso? Depois de ouvir, é preciso mudar para bem servir. Ou fingir que não ouviu, né?

  2. thiago augusto s. oliveira disse:

    Engana-se a organização que acredita ser simples ter um canal de comunicação tão direto e espontâneo com o mercado. Como você disse é preciso estar preparado para as críticas não apenas elogios. Muitas empresas não escutam ou justificam falahas com a resposta “faz parte do processo” algo semelhante ao “eu só trabalho aqui”, utilizado muitas vezes no contato direto.
    O dono do hostel perdeu uma grande oportunidade de melhorar seu serviço e divulgar tanto a melhoria como a abertura de comunicação que a empresa dele poderia ter. Seria uma ótima maneira de ganhar credibilidade com o crescente público que consome bens e serviços com o auxílio de mecanismos digitais. Engraçado que há uma semana você fala sobre isso no seminário da Casper hehe.

  3. Allan disse:

    Realmente, quanto maior especulação sobre web 2.0, 3.0… é o termor em saber o que o cliente realmente pensa, isso é natural ao ser humano, não estamos preparados no dia-a-dia, a ouvir o que REALMENTE pensam a nosso respeito.

  4. Thiane disse:

    Oi pessoal, obrigada pelos comentários. Allan, é bem por aí mesmo. Quando lidamos com a Web lidamos com pessoas. E por isso algumas coisas ainda são tão complicadas quanto na vida real. Beijos a todos

  5. Marcia Ceschini disse:

    Thiane, excelente artigo como sempre. O problema principal das empresas é que muitas fazem ações puramente com interesse de “estar na onda do momento”, sem atentar se faz parte da cultura da empresa. E acaba como o gerente do hostel, mostrando a verdadeira cara.. na verdade, ele fingiu ser atencioso com você..assim como tem empresas que “fingem” querer um relacionamento de verdade com seu consumidor e “fingem” ser responsáveis socialmente. Uma lástima, claro. Mas o bom mesmo é que os consumidores estão muito mais atento e separam o joio do trigo.
    By the way, adorei o novo visual do blog.
    Bem vinda de volta.
    :*

  6. Eduardo Alves disse:

    Oi, Thiane.
    Concordo contigo e com o Allan. A web 2.0 virou o tabuleiro e deu o poder ao consumidor que consegue hoje destaque com seus comentários. Movimenta sua “comunidade” e forma opinião. Muitas organizações não se sentem a vontade para o embate entre imagem pretendida e a, de fato, consolidada. Os responsáveis popr definir as estratégias de comunicação devem levar em consideração essa vulnerabilidade. Nem sempre estamos prontos para enfrentar nossos “fantasmas”.
    Adorei o blog.
    Beijos,

  7. Thiane Loureiro disse:

    Oi Marcia, oi Eduardo, obrigada por nos visitarem. Concordo que os consumidores saibam, sim, separar o joio do trigo e cada dia mais isso se tornará uma espécie de “seleção natural” para marcas e empresas. Por isso, vamos ter que aprender a lidar com os fantasmas. Bjs

  8. Edu disse:

    Eu vivo dizendo que, lá no fundo, as empresas ainda não estão muito preocupadas com toda a conversa de web 2.0, semântica e etc. Acho que é justamente pelo fato de temerem e não conseguirem ter controle sobre a informação. Isso é o que mata e derruba qualquer executivo do mercado corporativo. O querer ouvir ainda não faz parte da rotina das empresas. Basta ver a atenção dada aos call centers e e-mails de reclamações, sugestões e críticas.

  9. Manoel Netto disse:

    Cacetada, Thi! Estou preparando um texto que fala justo sobre isso. Tive uma experiência bem interessante há algumas semanas em outro blog (novo) que mantenho e deixei a poeira baixar pra poder escrever sobre isso sem alardes.

    Dá uma olhada: http://manualsp.com.br/rancho-da-traira-preco-salgado-e-comida-sem-sal/

    Beijo

  10. wioeaiuiooi disse:

    aaaaaaaaaaaa

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