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Ei! Expressões de Idéias.

  1. Blogueiros concorrem ao Parlamento da Malásia

    Publicado em: 07/03/2008 Autor: Thiane Loureiro

    Amanhã é dia de eleições parlamentares na Malásia e três blogueiros concorrem à liderança do país.

    Apenas 5% da população de cerca de 26 milhões de pessoas tem acesso à Internet, mas os blogs marcam história ao fazerem oposição ao primeiro-ministro Abdullah Ahmad Badawi e seu partido, o United Malays National Organisation (UMNO), no poder há 50 anos.

    Jeff Ooi, um ex-redator publicitário que ganhou notoriedade com seu diário sobre política, o Screenshots, concorre pelo Democratic Action Party (DAP) na cidade de Penang, a segunda maior depois da capital Kuala Lumpur. Tony Pua, empresário de tecnologia formado em Oxford e que começou a blogar há três anos, também concorre por uma cadeira no Palarmento pelo DAP.

    Tony e Jeff têm mais chance que Badrul Hisham Shaharin, candidato por Rembau, um povoado rural aonde a Internet praticamente ainda não chegou. “Admito que seja muito difícil já que o meu blog não pode ser acessado aqui, mas tenho recebido ajuda de muitos outros blogueiros”, disse ele à Reuters.

    É espantoso ver isso acontecer num país em que o governo tem rígido controle sobre a mídia. Ainda que eles não consigam nada agora, esses blogueiros possibilitaram aos malaios sonhar com a queda do regime atual e levar uma vida mais justa.

    Mas não imagino blogs conquistando esse espaço por aqui. Na melhor das hipóteses espero que em futuras eleições eles invistam em posts opinativos, com base em apurações bem feitas e com foco no esclarecimento e no debate construtivo.

    Na pior das hipóteses desconfio que um dia vamos abrir os jornais e ver blogueiro envolvido em corrupção. E é uma pena que essa possibilidade não seja tão remota assim.

    Thiane

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  2. A jornalista erra e a blogosfera contra-ataca: mulheres x Washington Post

    Publicado em: 03/03/2008 Autor: Thiane Loureiro

    A blogosfera norte-americana entrou em polvorosa neste domingo após um artigo publicado por Charlotte Allen no The Washington Post. Realmente o editorial é uma provocação lotada de clichês. Até mesmo uma antifeminista poderia sentir raiva só de ler o título: “Nós gritamos, nós desmaiamos. Quão estúpidas conseguimos ser?”

    O objetivo do artigo até que é bem pertinente: criticar milhares de mulheres histéricas que estão praticamente transformando Barak Obama num popstar estilo Beatles. Mas Charlotte poderia ter sido menos… Charlotte.

    “Lendo sobre episódios de gritos, desmaios e alvoroços, me pergunto se as mulheres não são mesmo o sexo mais fraco no final da contas”, escreveu Allen (em tradução não-literal). “Ou mesmo estúpido, com nossos cérebros permanentemente ofuscados por emoções sem sentido, manifestações psicossomáticas e distrações superficiais”.

    “Obviamente homens fazem coisas bestas. (…) Mas quando homens fazem besteira eles tendem a ser catastróficos. (…) As bobagens femininas são quase inofensivas, mas tão… vergonhosas”, completou Allen.

    E as críticas chegam até a incluir dados estatísticos sobre mulheres no trânsito. “É deprimente que vários dos mitos misóginos sobre a inferioridade feminina tenham se provado verdadeiros. (…) A teoria de que as mulheres são o sexo mais idiota – ou pelo menos o que se envolve em mais acidentes de carro – é amplamente apoiada por evidências neurológicas”.

    Aqui Charlotte realmente exagerou. E eu comecei a questionar se os blogueiros estão mesmo certos quando acusam jornalistas de usarem seus veículos para publicar “qualquer nota”, sem apuração, credibilidade ou respeito pelo leitor.

    Há milhões de formas de elucubrar sobre a atitude do eleitorado feminino de Obama, o sensacionalismo das eleições nos EUA, os erros de campanha de Hillary.

    Mas ela realmente transformou um tema relevante numa plataforma sexista e “babaca” e, claro, foi massacrada. O blog Thought Bubbles comentou: “Ela sabe tão pouco de estatística ou sobre como construir um argumento coeso que talvez por isso tenha gasto três parágrafos argumentando sua própria estupidez”.

    E o final do artigo de Allen é ainda mais revelador: “Não entendo por que as mulheres não relaxam, aproveitam suas habilidades natas e as coisas mais importantes da vida nas quais arrasamos: carinho para com as crianças, os homens e os fracos e a capacidade de transformar uma casa em um lar. (…) E aí poderíamos berrar, desmaiar,  fofocar e ler coisas melosas e românticas sem se preocupar que bem lá no fundo nós somos… meio tolinhas”.

    Até eu fiquei com vontade de dizer umas “palavrinhas” para Mrs. Charlotte…

    Outros links de protesto:
    BlogoWogo
    The Garlic

    Free Williamsburg
    Moue Magazine
    Feministing
    Media Matters
    Thiane

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  3. Repensando o jornalismo

    Publicado em: 28/02/2008 Autor: Thiane Loureiro

    Ao navegar pela Web ontem me deparei com o blog Publishing 2.0, de Scott Karp. Ele traz uma interessante discussão sobre o que ele chama de “jornalismo de links”. Karp enxerga uma nova função para a imprensa: a de agregar matérias antigas e oferecer links não apenas para essas reportagens, mas para todo e qualquer conteúdo relevante sobre um mesmo assunto, na linha do que faz o Drudge Report. No lugar de apenas citar uma fonte ou resumir fatos passados, na intenção de contextualizar uma história atual, o “jornalismo de links” permitiria um aprofundamento maior das reportagens, tornando as versões online mais “vivas” e as publicações impressas mais ricas de informação relevante, além de promover o aumento de tráfego para o site do próprio jornal. Blogs já são pioneiros na arte de linkar. Esta seria uma excelente oportunidade de oferecer a blogueiros espaço nas redações e de fazer jornalistas e blogs trabalharem em conjunto numa mesma apuração, gerando matérias mais detalhadas e transparentes a todos os leitores e usuários de Internet. Mais uma vez estamos falando de mudar a mentalidade e encarar novas formas de lidar com a informação.

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  4. Podcast sobre Web no Fala RP!

    Publicado em: 28/02/2008 Autor: Ronald Mincheff

    Tive o prazer de participar do Fala RP!, que reúne podcasts com especialistas em relações públicas. A iniciativa pioneira é liderada pelos blogueiros Marcia Ceschini (Oras blog!), Telma Ito (RedeRP) e Wallace Ischaber (O Pato). São profissionais que entenderam a importância das novas mídias que como elas têm mudado a comunicação corporativa. Na entrevista eu falei um pouco de Web 2.0, das iniciativas que a Edelman está desenvolvendo nessa área e os quesitos necessários para quem quer crescer nesse ambiente digital. Ouçam e deixem aqui seus comentários. O feedback de vocês é muito importante.

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  5. Campus Party mostra que ainda há muito que evoluir na Web

    Publicado em: 20/02/2008 Autor: Thiane Loureiro

    Campus Party foi um evento e tanto! Desses que colocam o Brasil no radar dos grandes nomes da Web. Fiz parte do grupo de discussão da comissão organizadora do Campus Blog e acompanhei os esforços feitos por gente como Lucia Freitas, Daniela Silva, Pedro Markun, Juliano Spyer e Sergio Amadeu para organizar workshops, palestras, debates e trazer nomes como Steve Johnson. Que experiência incrível ter visto tudo acontecer com um pezinho (só um pezinho mesmo) nos bastidores. Êxtase saber que o evento está garantido até 2013. 

    Foto retirada do site do Campus Party

    Mas não dá pra falar de Campus Party e não comentar as polêmicas envolvendo jornalistas, blogueiros, posts pagos e empresas. Observei as pessoas se inflamarem, li e reli vários blogs, ouvi comentários nos corredores da Bienal, fiz algumas colocações também, mas deixei a poeira abaixar. Espero agora poder adicionar algumas visões novas ao que já foi dito, especialmente com base no que eu mesma vivi como convidada do debate sobre blogs corporativos, na última sexta-feira.

    Foto do aquário da imprensa retirada do Flickr do Marco Gomes
    Jornalistas e blogueiros têm insistido em desempenhar os mesmos papéis e ficam tentando descer goela abaixo um do outro. As acusações foram pesadas. Blogueiros dizem que jornalistas são “idiotas” e não checam suas matérias. Jornalistas afirmam que blogueiros não têm credibilidade e profundidade no que escrevem.
     
    E aí? Blogs têm mais credibilidade que jornais? Jornais são mais confiáveis que blogs? Jornais fabricam notícias? Blogueiros pagos não têm isenção? Quem disse? Quem pode provar? E queremos ter credibilidade enquanto acusamos uns aos outros sem qualquer bom senso?  Mais uma vez repito: temos que mudar a mentalidade. Ou não adianta nada abraçarmos as “novas mídias” com pensamentos tradicionais e “tiranossáuricos”. Temos muito que aprender e repensar.
    Existe espaço pra todo mundo. Jornalistas e blogueiros são complementares e não excludentes. Blogs linkam jornais e jornais podem linkar blogs, que são muito mais opinativos e desprendidos do factual, da notícia “quente”. Juntos, blogueiros e jornalistas podem encontrar meios de levar mais informações de qualidade para as pessoas. Agora, quem disse que blogs precisam necessariamente ser noticiosos? Será que estamos criando uma visão viciada da blogosfera?

    Foto do aquário da imprensa retirada do Flickr do Manoel Netto

    O que me leva a dizer que blogs não são tudo na Web. No debate de sexta-feira foi bastante difícil esconder a minha cara de indignação com algumas das coisas que ouvi. Blogueiros corporativos distribuindo “business cards” e falando mal das empresas que os contrataram, acusando corporações de dizer “meias verdades” e de não saber o que estão fazendo. Agências afirmando categoricamente que posts pagos são o “mensalão da blogosfera”. De novo, farpas indiscriminadas.

    E volto ao meu discurso do debate de sexta-feira. Empresas são ambientes complexos que levaram anos pra que seus nomes fossem reconhecidos, que precisam fazer com que milhares de funcionários representem suas marcas e produtos de forma consistente e alinhada. São avessas a riscos. Qualquer deslize pode representar prejuízos homéricos e riscar da folha centenas de empregos. Além disso, há décadas, às vezes séculos, tomam decisões a portas fechadas, com medo da concorrência, tentando vencer em mercados cruelmente competitivos.
    E aí veio a Web pra dizer que tudo isso precisa mudar. Que funcionários e consumidores devem participar e que é preciso ceder o controle em troca de credibilidade. De novo estamos falando de mudanças muito profundas. E que levam tempo. Por isso mesmo blogs deveriam ser feitos com mais cuidado.
    Blogs são ferramentas de relacionamento, mas também veículos de informação. Da mesma forma que empresas não podem sair por aí falando qualquer coisa na imprensa,na newsletter, no mural ou no balanço anual,não podem deixar que seus blogs não tenham um mínimo de alinhamento estratégico. Nem que blogueiros se tornem porta-vozes oficiais sem qualquer preparo para isso.
    Blogs precisam de gerenciamento. Blogs são, acima de tudo, instrumentos de reputação. Não é toda empresa que está pronta pra ter um blog. E não há qualquer problema nisso. Blogs “telemarketing”, que só existem quando a empresa quer vender alguma coisa ou fazer branding, raramente atingem as pessoas certas, raramente criam conversação com quem realmente precisa participar. Blogs dão trabalho. Blogs não são publicidade barata.

     
    Fotos da palestra A Corporação Transparente retiradas do Flickr do Manoel Netto.
    Aí só me resta elucubrar sobre blogueiros contratados, posts pagos, etc. Imagine que você acabou de contratar um pintor pra sua casa. Você está pagando e espera que as paredes sejam todas brancas, que ele não suje o chão nem manche os batentes das portas. Epa, nada disso. Você agora precisa contratar o pintor, pagar e deixar que ele faça o que quiser na sua casa. Se as paredes estiverem pink quando você voltar, não reclame. É liberdade de expressão. E aí? Como você pretende lidar com isso? Pois assim são, teoricamente, os blogueiros ou posts pagos. Como pintores que você contrata pra fazer o que quiserem.
    Blogueiros podem, sim, ser pagos. Depende de como e pra que. Depende de quanto. Depende de qual é o objetivo daquele blog. Depende do que escrevem. Depende do quanto blogueiro quer virar “prestador de serviço” e do quanto a empresa está preparada pra dar liberdade ao “fornecedor”. Tudo depende. O foco está, mais uma vez, na reputação. Mas pra que essa relação dê certo de novo são necessárias mudanças que ainda não aconteceram.
    O Café com Blog, promovido pela revista BITES, é uma iniciativa que visa permitir discussões construtivas sobre a Web e a blogosfera. Que tal fazermos mais? Que tal criarmos um comitê oficial, convidar entidades, agências de comunicação, acadêmicos, jornalistas, blogueiros? Criar melhores práticas, condutas, evoluir. Vamos?

    Outras reflexões bacanas:

    Thiane

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  6. Metodologia da Pesquisa de Confiança II

    Publicado em: 07/02/2008 Autor: Ronald Mincheff

    Todos os anos a metodologia da Pesquisa de Confiança da Edelman entra em discussão, mas nunca como este ano. A Mídia ocupar o primeiro lugar em credibilidade incomoda. Antes do Governo, Empresas e ONGs mais ainda! O resultado de confiança em Instituições nunca tinha colocado a Mídia em primeiríssimo lugar. E isso deu o que falar em portais, blogs e twitter.
    Essa foi a escolha de 150 brasileiros entrevistados por telefone, com o seguinte perfil: entre 35 e 64 anos, possuem formação superior, fazem parte dos 25% da população de seus países com maior renda familiar e apresentam interesse significativo em assuntos relacionados à mídia, economia e política. A margem de erro do estudo no Brasil é de ± 5.7%.
    A Pesquisa de Confiança da Edelman já está na nona edição e o Brasil participa pela quinta vez. Foram entrevistados 3.100 formadores de opiniao em 18 países (Estados Unidos, China, Reino Unido, Alemanha, França, Itália, Espanha, Países Baixos, Suécia, Polônia, Rússia, Irlanda, México, Canadá, Japão, Coréia do Sul, Índia e Brasil).
    Sessenta e quatro por cento dos participantes no Brasil apostaram na mídia. Em segundo lugar ficaram as Empresas (61%), seguidas por ONGs (51%), instituições religiosas (48%) e Governo (22%).
    Esses e alguns outros dados bacanas vocês encontram no release que soltamos para a imprensa e no relatório da pesquisa (em inglês).
    Mas o que me estimulou a escrever esse post foi o debate que surgiu em primeiríssima mão no Comunique-se sobre o recorte do público pesquisado. Gostaria de deixar um ponto claro: uma pesquisa sempre tem um objetivo e uma metodologia que deve estar de acordo com esse objetivo.
    Assim como já escrevi no portal do Comunique-se, o objetivo da pesquisa é: entender em que seu público-alvo acredita para assim desenhar melhor seus planos de comunicação. Com as mudanças de fluxo de informação, principalmente causada pelo boom de conversas pela Internet, confiança passou a ser requisito básico para qualquer empresa de sucesso. E, por isso, a Edelman resolveu seguir com a pesquisa, que é muito importante nos projetos de seus clientes.
    A Edelman trabalha com assessoria de imprensa, relacionamento com Governo, posicionamento de porta-voz, relacionamento com comunidade online, prevenção e gerenciamento de crise, responsabilidade social etc., e quanto mais informação tiver para ampliar o entendimento da opinião de tomadores de decisão sobre esses públicos para alinhar a comunicação dos clientes, melhor.
    Espero escutar aqui a opinião de todos e continuar essa discussão.
    Abraços,
    Ronald.

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