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Ei! Expressões de Idéias.

  1. Perdemos o bonde com a fita cassete

    Publicado em: 24/06/2008 Autor: Thiane Loureiro

    Participei sábado do II Seminário de Tendências Conectadas nas Mídias Sociais para falar sobre “Blogs e Redes Sociais Corporativas: Mito ou Realidade”.  Todo o conteúdo do evento foi extremamente relevante e em especial o Alexandre Matias conseguiu linkar superbem a história da música com as mudanças no mercado fonográfico.

    Aí fiquei pensando no quanto se discute MP3, Napster, iTunes, etc., e no quanto a indústria musical é tola em querer conter essas tecnologias que, na verdade, apenas amplificaram um comportamento que já vem desde muito tempo com a fita cassete.

    Quando meu pai me deu um aparelho de som “3 em 1″,  minha maior felicidade era justamente não precisar mais gastar a mesada pra comprar um disco do qual eu só queria mesmo algumas faixas. Ou copiar um álbum e ouvi-lo até juntar dinheiro pra poder comprá-lo. Ou ainda gravar do rádio um lançamento — mesmo com a vinheta da estação bem no meio da música — só pra ficar por dentro das novidades. As “fitinhas” rodavam a turma toda e de repente você ia no “bailinho” do amigo do amigo e ouvia as suas próprias coletâneas que tinham sido passadas adiante.

    Se isso já não era o princípio dos serviços P2P alguém me explica, então, o que era. E é uma pena que um mercado inteiro não tenha tido visão suficiente pra prever o rumo que a indústria precisaria seguir dali por diante. Infelizmente o mundo corporativo vem da burra sensação de controle e continua na burra tentativa de se manter controlando o que nunca foi controlável. E se por um lado a Internet, sim, está rompendo com tudo que vínhamos fazendo, por outro, o fato de agora estarmos desesperados pra mudar é culpa nossa. Bastava apenas ter prestado atenção no ser humano. Mas parece que esse bonde saiu do trilho em algum lugar.

    Digo o mesmo do vídeo cassete. Desculpem-me os publicitários, mas a gente pula comercial desde do dia em que nos permitiram não precisar mais estar na frente do aparelho de televisão o tempo todo. O TiVo e a TV Digital são, mais uma vez, facilitadores de um comportamento antigo.

    Por isso tudo, “fingir” atualmente que dá atenção pra Web porque de repente essa coisa 2.0 virou moda e continuar se comunicando com o consumidor de cima pra baixo sem realmente prestar atenção nas pessoas é, outra vez, perder não mais o bonde, mas o trem bala. Tudo hoje em dia evolui muito rápido e os comportamentos estão aí, ganhando força, se adaptando, se modificando.

    Como  disse Avinash Kaushik, evangelista do Google, em entrevista ao jornal El País, é possível saber muito mais sobre um público pela Web do que por qualquer outro meio de comunicação. Portanto, o grande desafio, mais do que ter um blog ou fazer uma campanha mirabolante, é saber ouvir o que as pessoas já estão falando — quer você queira ou não — sobre você, sua marca, seu produto ou sua empresa, usar essa conversação de forma produtiva e atender as reais necessidades dessas pessoas.

    Convenhamos que daqui poucos anos ninguém mais terá justificativa pra ficar se perguntando o que foi que aconteceu, tentando colocar usuário de Internet na cadeia porque o modelo de negócios está numa furada. Tá tudo aí, online e à disposição. É só saber usar com ética, estratégia e eficiência.

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    Categorias: Blogosfera, Comunicação, Marketing, Negócios, Tecnologia, Televisão.

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3 comentários to "Perdemos o bonde com a fita cassete"

  1. Rodrigo van Kampen disse:

    Concordo com você, principalmente o fato de que essa coisa nova e louca chamada web 2.0, colaboração e tudo o mais não surgiu do nada e explodiu. É pricipalmente uma evolução ferramental de coisas que já fazíamos a tempos!
    Entrar na web porque todas as empresas estão fazendo não faz o menor sentido, porque se nem a empresa sabe para quê serve aquele “site colaborativo” que ela abriu, as pessoas também não vão entender o que fazer por lá!

    Leio pelo feed e faz um tempão que não entro aqui. Mudou o visual? Gostei bastante deste!!!
    Abraços!

  2. Thiane disse:

    Obrigada pelo elogio ao visual. E é bem isso mesmo. Se ninguém sabe pra que serve, nada vai acontecer ali. Bjs

  3. Alexandre Carvalho disse:

    Sobre a indústria fonográfica, Thiane, é claro que as gravadoras sabem que as pessoas trocam músicas desde mil novecentes e lá vai pedrada, só que no caso da Internet a reação deles se dá por outro motivo.

    Naqueles tempos a gente se limitava copiar apenas o que tinha sido lançado aqui no Brasil, o que tocava no rádio ou, com muita sorte, o que um amigo tivesse trazido de outro país. A diferença agora é que, com a Internet, passamos a ter acesso a tudo aquilo que não conseguíamos aqui no Brasil por nunca ter sido lançado ou já estar fora de catálogo. E é justamente por isso que os cartolas das gravadoras rodam a baiana. E continuam sem perceber que este é um caminho sem volta. Fecha-se um Naspter hoje, surgem dez amanhã.

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