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  1. Petrobras: a polêmica do blog que não é blog

    Publicado em: 09/06/2009 Autor: Thiane Loureiro

    Tenho acompanhado a polêmica em torno do blog da Petrobras, principalmente por meio do grupo de discussões sobre RP Digital da Abracom. Após me manifestar no grupo e no Twitter, senti a necessidade de esclarecer melhor a minha opinião sobre o assunto. No lugar de texto corrido, vou postar bullets, na tentativa de ser mais objetiva e clara. Vamos lá:

    • A idéia de usar mídias sociais para se comunicar com imprensa e opinião pública é excelente.
    • No entanto, acho que chamar de blog uma lista de comunicados e respostas formais é um erro.
    • Um blog deve ser interativo, opinativo, uma ferramenta de comunicação horizontal e transparente.
    • Não acredito que blogs sejam a melhor forma de se “defender” da imprensa ou facilitar o atendimento aos jornalistas, reduzindo o tempo gasto com cada solicitação ao publicar tudo num lugar só.
    • Cada veículo quer que sua reportagem seja única o máximo possível. Postar todas as respostas à imprensa acaba com o direito do jornalista à exclusividade e de sair à frente de sua concorrência.
    • Portanto, como jornalista, talvez também ficasse furiosa se as minhas fontes tornassem público todo o posicionamento da empresa antes mesmo que a reportagem fosse publicada.
    • Que fossem feitos esclarecimentos sobre as matérias, após um contato com o jornalista responsável e depois de terem sido publicadas no jornal, na revista, no rádio ou na TV.
    • Ao meu ver, o correto é continuar atendendo a imprensa. Continuar mantendo o bom relacionamento com os jornalistas, fornecendo-lhe informações um a um, concedendo entrevistas e tudo mais que se faz num trabalho de assessoria de imprensa.
    • Se ainda assim a empresa quiser levar à opinião pública todos os seus comunicados, então que se crie no site uma seção aberta para comentários, mas na qual se deixe claro que tudo aquilo é formal. Que tal um social media press release?
    • Comunicados, newsletters, press releases, etc. não são posts de blog — ou não deveriam ser.
    • Ok, a imprensa precisa se preparar para ser “furada” pela Internet, sim.
    • A imprensa precisa entender que informação não é mais poder e que, mais do que nunca, criatividade, relevância, conteúdo diferenciado, e reportagens de impacto são cruciais para a sobrevivência do jornalismo, especialmente o impresso.
    • Definitivamente dar a mesma manchete do online no jornal do dia seguinte é péssimo. Cada um vai ter que reaprender seu papel nas diferentes mídias que percorrem a imprensa.
    • Porém, uma empresa também tem obrigação de compreender as mídias sociais antes de abrir um blog.
    • Várias vezes me manifestei sobre a falta de preparo dos profissionais de RP, marketing, publicidade e até mesmo das tais chamadas agências de Web para utilizar estrategicamente a Internet no mundo corporativo.
    • Várias vezes também disse que o mundo corporativo ainda não entendeu um bocado de coisas e que muitas empresas, várias, jamais deveriam ter um blog.
    • No caso da Petrobras, portanto, vejo dois problemas básicos: usar blog para postar comunicado e usar Internet aberta para atender os repórteres (sala de imprensa é outra história).
    • Com  relação aos jornalistas, a dificuldade é a mesma: saber o que fazer daqui por diante com as mídias sociais.
    • Web não se resume a blog.
    • E tudo isso é uma lição para a Petrobras, o mercado, os profissionais de comunicação e a imprensa.

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    Categorias: Blogosfera, Comunicação, Edelman, Imprensa, Jornais, Jornalismo, Marketing, Negócios, Tecnologia.

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11 comentários to "Petrobras: a polêmica do blog que não é blog"

  1. Luiz Yassuda disse:

    Bons pontos, Thiane

    Mas há nessa história toda algo bem mais político e podre do que apenas fazer de um blog a plataforma de conversa aberta com a imprensa ou para postar comunicados. Infelizmente, não acho que o que está sendo discutido no Blog da Petrobras seja um assunto para debatermos sob o ponto de vista das práticas mercadológicas de comunicação.

    A comunicação está sendo utilizada para questionarmos crimes (conforme o que está sendo levantado para ser aberta um inquérito) e ética jornalística (bola levantada pela empresa).

    Ao que parece, tal blog não tinha intenção alguma de estabelecer um ponto de conversa. A ferramenta foi a escolhida, unicamente pela sua facilidade de uso, para “desmascarar” os interesses de grandes grupos formadores da opinião pública.
    Não que eu acredite que haja mocinhos e bandidos na história, mas a postura da empresa diante dos constantes ataques foi desmerecer os acusadores.

    Se vai dar resultado, saberemos ao buscar sobre o assunto daqui uns dias. Mas, pelas reações na imprensa, foi um golpe que doeu.

  2. Maísa Dantas disse:

    é Thiane, estava lendo o dito blog da Petrobrás agora pouco e realmente, como você disse, ele não é um blog pelo conteúdo e pelos objetivos que traz, só pela forma.
    Não acho que é uma questão de ética ou de não-ética isso de a Petrobrás publicar antes o que diz à imprensa, só questiono a real motivação para tal ação, já que ela poderia sim esperar as matérias serem publicadas para depois corrigir ou responder a possíveis distorções. Acho que ela perdeu ponto pela “deselegância” no relacionamento com a imprensa e pelos objetivos pouco claros com o blog, o que de fato levanta questionamentos.
    Mas a imprensa também perdeu ponto pela reação assustada e no sentido de desmoralizar a empresa, utilizando-se de todos os seus meios para falar que a Petrobrás “vazou” informações ou que não tinha direito de publicar suas informações de fonte. Ficou feio para vários jornalistas, a meu ver, o medo e a reação classista que demosntraram, deixando também espaço para questionamentos a respeito de linhas editoriais e edições que são feitas nas informações prestadas pelas fontes. Realmente um golpe duro, como você disse.

  3. João Carlos Caribé disse:

    Thiane, sempre tive o maior respeito pela profissional que você é, e pela qualidade do que você escreve, mas confesso que fiquei um pouco confuso com este texto aqui.

    Você fala que lista de perguntas e respostas não é blog, mas blog não tem um padrão, cada um faz do seu espaço o que quer, uns colocam textos literarios, poesia, fotos, videos, links coletados, e cada um da a sua cara.

    Não acho ruim a postura da Petrobras, muito pelo contrário acho que levando-se em conta o contexto politico na qual ele foi publicado simplesmente perfeito. Não podemos a questão meramente pelo aspecto técnico, neste aspecto concordo com quase tudo que você escreveu.

  4. Gilberto Pavoni Junior disse:

    Concordo com o Luiz Yassuda (e isso já me tira algumas linhas a escrever). Não concordo com esse direito à exclusividade do jornalista q vc põe. Isso não existe.

    Não vou entrar no mimimi dos jornalistas por n motivos. Mas, me surpreende que, por exemplo, uma denúncia deixe de ser denúncia porque não é exclusiva e não mereça manchete principal. Nessas horas de confusão entre ofício, função social e mercantilismo é q o melê se instaura.

    Qto a ser ou não um blog, acho uma discussão que tende a ser interminável. Uso esse verbo pq:

    É blog, do ponto de vista do instrumento, da tecnologia.

    Pode não ser blog, se adotarmos essa visão de que há uma “atitude blogueira”. Ou, pode não ser também se considerarmos que o instrumento novo precisa necessariamente causar uma evolução nos processos e relações. É… seria muito bacana. Mas, isso está mais para o campo da esperança humanística do que para realidade do mercado liberal e das relações entre poder econômico e político.

    Pra mim, o blog da Petrobras merece ser analisado friamente, basicamente ele nele mesmo e no contexto do momento político. A empresa poderia ter feito tudo que você defende antes. Não fez pq não tinha interesse. A CPI despertou a possibilidade da ação. Com isso, traçou objetivos e procurou saídas. O blog pareceu OK.

    Tinha um objetivo? Foi alcançado? Era pra causar buzz rápido?

    Outra coisa é q não é, assim, algo contra “a imprensa”. Pelo menos nesses dias, parece ser contra a Globo, Folha, Estadão, que iniciaram denúncias contra a empresa e críticas aos programas de biocombustível. O Diário de Ticirica da Serra do Sul provavelmente continua a ter a mesma jactância em respostas ao seus pedidos de entrevistar o Gabrielli.

    Algumas análises eu creio valer a pena expandir. Uma é sobre a instituição do “furo” e o qto isso é relevante hoje em dia. Outra é se isso não leva realmente a uma mudança ou revisão para melhorias no jornalismo como processo produtivo. — quem disse que uma notícia precisa ser linear e disposta sobre um único suporte não hiperlinkado?

  5. Thiane Loureiro disse:

    Oi Yassuda, concordo que não há mocinhos ou bandidos. De qualquer forma, se estamos questionando ética jornalística e os abusos da imprensa, bater de frente talvez não seja a melhor estratégia. Sim, a empresa tem todo o direito de falar com seus públicos usando a ferramenta que bem entender. Mas se ela tivesse continuado a fazer assessoria de imprensa, sem simplesmente romper com os jornalistas de uma hora pra outra, talvez ela conseguisse muito mais efeito. A mídia não teria como dizer que ela está agindo contra os jornalistas. E ao mesmo tempo acho que todos veriam os comunicados postados como uma forma de participar da maior empresa deste país sem precisar do viés da imprensa. Acho que a Petrobras estaria mais respaldada. E a tática funcionaria melhor.
    João, acho que blogs podem, sim, ser usados de diversas formas. O problema não é ser uma lista de perguntas e respostas, mas ser quase como um mural de comunicados formais. Gostaria que no momento em que uma empresa como a Petrobras se dispusesse a ter um blog, ele tivesse um porta-voz, fosse uma conversa horizontal (”eye level”) com os cidadãos e investidores, até mesmo com a imprensa. Demonstrasse que de fato que a Petrobras está se abrindo para a Internet e verdadeiramente querendo se comunicar e não somente “empurrar” as formalidades corporativas que ela não quer mais “empurrar” pra imprensa. Não acho que blogs devam ser escritos em forma de “statement” pela assessoria de imprensa. Isso me incomoda. E por isso não considero um blog, da forma como ele se apresenta.
    Como bem disse a Maisa, todo mundo perde pontos nessa história.

    , sem um porta-voz específico. O que tentei dizer é que considero blogs como uma forma de conversação, em que a emprea se dispõe

  6. Thiane Loureiro disse:

    Gilberto, quanto tempo! Concordo que informação não é propriedade da imprensa. Mas o jornalismo se fez com base no acesso a fontes que as pessoas comuns não têm, no direito de um jornal poder, sim, sair com uma matéria sem que seu concorrente saiba e tenha tempo de correr atrás, e com o objetivo de informar com a maior veracidade possível todos os lados de um fato. Se jornalismo é bem-feito hoje em dia e se a forma como os jornalistas atuam é correta, é uma discussão que independe dos motivos pelos quais a Petrobras decidiu abrir um “blog”. Como jornalista, você sabe como as coisas funcionam. Mas você também sabe como as coisas rolam do lado das empresas. Por isso acho que usar uma ferramenta, que depende, sim, de uma atitude inovadora, apenas para tornar públicos comunicados que por razões bem mais profundas deixaram de ser passados para os grandes veículos, não me parece a melhor saída. Tudo bem postar os statements. Mas que isso fosse feito de uma forma que ficasse claro que pouco mudou na vontade da Petrobras de “conversar” nas mídias sociais. Só pra ter uma plataforma fácil e com comentários, o social media press release funcionaria melhor, na minha opinião. Bjs

  7. Marcia Ceschini disse:

    Thiane,

    bons pontos levantados. O que tenho lido por ai, de jornalistas e comunicadores comentando o blog, é que ele veio para causar uma ruptura no jornalismo feito até então. Sou RP, portanto desconheço a fundo as causas de fonte e etc, que os colegas jornalistas defendem.. mas um ponto é correto, o blog não é transparente e tão pouco (até o momento) permite a troca de diálogos via blog, o que em se tratando de comunicação 2.0 que buscam fazer, é um tiro no pé.
    Abraços

  8. O blog da Petrobras « Pérolas das AIs disse:

    [...] Ferrari Rogério Christofoletti Daniel Miura Expressão de Idéias Sergio Leo Pedro Doria Luis Nassif Idelber Avelar Claudio [...]

  9. Thiane Loureiro disse:

    Exatamente Marcia. Ninguém pode ser tão inocente, pendendo para um lado ou para o outro sem entender qual é o papel de cada um e o que tudo isso implica. Bjs

  10. Ceila Santos disse:

    Oi thi, entendo seu ponto de vista, mas acho que independente do formato do conteúdo, o blog foi uma ótima ferramenta pq gerou conversa, buzz e resgatou o debate do jornalismo. Tudo positivo!

    em relação a furos e demais condutas ou acordos da relação imprensa com suas fontes, acho que a Petrobras conseguiu vender uma marca valiosissima de “transparência” e ainda não perder nada com isso pq o desafio do reiventar o jornalismo tá aí bem antes da inicativa da petrobras. Logo, a iniciativa parece ser bastante positiva para Petrobras!

    Agora, cá entre os mortais, espero que os impactos não resulte apenas na “velha dobradinha: o governo contra os coitadinhos dos jornalistas!!!!” o controle versus liberdade e por aí vai…quem sabe não há chance de discutir melhor os processos de produção que ainda continuam baseados em cabeça de papel

  11. O quinto poder e a Petrobrás « Relações Públicas Online disse:

    [...] polêmica desnecessária publicando o conteúdo das entrevistas antes que elas fossem publicadas. Thiane Loureiro falou bem quando disse que, é importante “continuar mantendo o bom relacionamento com os [...]

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