Publicado em: 30/01/2009 Autor: Thiane Loureiro
Menos será mais em 2009. Depois de finalmente terminar de ler uma serie de textos sobre as previsões para Web, percebi que “defriending” é consenso como tendência para este ano: menos contatos, mais discernimento na hora de aceitar um amigo ou follower, além de mais qualidade nas informações recebidas e compartilhadas. Isso, de certa forma, mexe com os rankings que temos visto por aí e abre uma nova discussão a respeito de influência e relevância.
Um dos critérios que definem os blogs mais prestigiados é o número de visitantes. E isso tem sido levado em conta mais até do que o conteúdo que o blogueiro publica ou com que tipo de usuários ele fala. O mesmo tem acontecido no Twitter, com alguns perfis contabilizando mais cinco mil seguidores e liderando as análises quantitativas.
Quem acompanhou o debate sobre Relações Públicas 2.0 na Campus Party me viu dizer que o que define influência e relevância são os objetivos e o público-alvo que uma marca ou empresa precisa atingir. Falei que, dependendo do produto, aparecer nos “top ten” da blogosfera é importante por conta da visibilidade. Aqui o que determina sucesso é o buzz. Ter a empresa citada em um veículo que atinge milhares internautas, mas que não necessariamente são aqueles que realmente consomem a marca. Pois é bem provável que o público-alvo esteja, de fato, nos blogs “miguxos”, Fotolog ou Orkut. No boca-a-boca gerado entre uma audiência bem menos “famosa”, mas com muito mais relação direta com o produto.
Por isso, se a companhia quiser proteger sua reputação, fazer nascer novos embaixadores, aumentar a exposição positiva e gerar conversações genuínas e transparentes, o buzz deve sair de cena para dar espaço ao engajamento sustentável e construtivo entre corporação e consumidor. Como bem disse Andy Sernovitz, “love beats money”. E amor só se ganha ao longo de relacionamentos. Isso vai totalmente de ao encontro com essa tal tendência de medir influência muito mais pela importância das conversas estabelecidas, independentemente da quantidade.
Talvez daqui pra frente popularidade seja algo contabilizado muito mais pela capacidade de um blog ou internauta de chegar até uma audiência qualificada e formadora de opinião do que pelo fato de ser lido por milhões de pessoas que não causam qualquer impacto além de “copy/paste”. Aí, espero que marqueteiros e profissionais de comunicação finalmente entendam que o trabalho de Web vai além de atingir KPIs ou ROI. Trata-se de conquistar “amigos”.
P.S - Os debates da Campus Party podem ser assistidos aqui
Eduardo Vasques escreveu um ótimo post sobre RP 2.0
E muita gente passou a considerar Orkut como ferramenta de classe C. Engano. O Orkut faz parte da vida de todas as pessoas que não enxergam e não entendem Web 2.0 como nós
Categorias: Blogosfera, Comunicação, Eventos, Marketing, Tecnologia.
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Muito bom!
Só uma correção:
“Isso vai totalmente de encontro com essa tal tendência de medir influência muito mais pela importância das conversas estabelecidas, independentemente da quantidade.”
Neste caso, o correto seria AO ENCONTRO (convergência, não embate).
Abração!
Orkut só para miguxos já era. Estamos há tempos na era da participação e da colaboração do consumidor. E dá-lhe web 2.0, PR e envolvimento. Parabéns pelo post. ABraços, Carol Terra (http://rpalavreando.blogspot.com)
Thiane, excelente post.
A verdade é que a web 2.0 ainda é uma incógnita para RP e outros profissionais de comunicação. O assunto é muito novo e existem poucos especialistas com E maiúsculo e com referência na área.
Somente com muitos debates e cursos é que estaremos melhores preparados.
Sou leitor deste site, embora não tenha o habito de comentar suas matérias. Li recentemente no blog Os amigos do presidente Lula uim comentário seu , e dai a minha pergunta. O que vocÊ pensa sobre esses blogs governistas? O governo paga para eles escreverem?, como eles vivem? Qual a profissão da blogueira?
Há também o blog Os amigos da presidente Dilma. Essa é uma propaganda fora de hora? Está certo, pode ou não?
Obrigado
Olá, Gilberto. Muito obrigado por fazer seu primeiro comentário aqui. Os blogs são uma iniciativa genial para propagar, expor e discutir idéias. Por serem fáceis de criar, percebemos ao longo dos anos na web uma pluralidade de opiniões – o que é muito bem-vinda. Penso que blogs que apóiam ações do governo são tão relevantes quanto aqueles que propõem outros caminhos. Abraços!
Gustavo, muito obrigada pela correção. Vou fazê-la no post. Marcia e Carol é sempre bom ter o apoio de vocês. Abraços a todos
Confesso que me dá certo alívio de ler pessoas que defendem o relacionamento além dos números, da relevância além dos page views.
Infelizmente assisti a palestra do CParty de longe, mas gostei muito do que foi levantado na mesa (principalmente em comparação a mesa dos publicitários do dia anterior).
Parabéns.
[...] Relevância x Influência [...]
Olá Andrea, obrigada por nos acompanhar e fico também feliz de ver que muita gente compartilha dessa opinião. Beijos
Thiane, sempre bom acompanhar teus raciocínios - ainda que não o tenha feito ao vivo no Campus Party, por absoluta falta de paciência com a estrutura do evento. Bem, quando se fala em web 2.0 eu sempre volto à mesma tecla: mesmo aqui é importante perceber a IDONEIDADE DA FONTE. Claro, no início é tudo um grande “carnaval”, mas depois da poeira baixar de novo o que interessa é conteúdo relevante, é tipo de público impactado em relação aos objetivos da marca. Quando vejo que os “grandes e consagrados” blogs brasileiros tem mais de mil comentários de um post, eu sugiro: olhem os comentários e tentem retirar algum resíduo - tem uns dez “hehehehe”, outros vinte “hahahahaha”, outros quinze “é nóis…”. E como também ando dizendo por ai: estou de saco cheio de gente surfando na web, quero companhia pra mergulhar.
Nossa, Rodrigo, seu comentário é muito bom. E todos deveriam querer companhia pra mergulhar. Tô contigo! Abs
[...] Rediscutindo relevância e influência por Expressao de Ideias [...]
Thiane, o Orkut assim como o Facebook pode serem aqui no Brasil, uma ferramenta capaz de consolidar a imagem de um político?
Oi João, sim, desde que o político utilize a ferramenta com transparência e não abuse de artifícios escusos apenas para sair na frente do opositor. Abs
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