Publicado em: 03/06/2009 Autor: Thiane Loureiro
Na última sexta-feira a Edelman recebeu a visita do jornalista Caio Túlio Costa, que lançou este ano o livro “Ética, jornalismo e nova mídia - uma moral provisória”, pela Zahar (cliente nosso), e atualmente trabalha no projeto de plataforma multimídia da Oi. Sua experiência com novas mídias e, claro, os muitos anos de experiência em comunicação despertaram nosso interesse em aprender um pouco mais com ele.
Caio trouxe muitos exemplos de como a Internet tem revolucionado a comunicação e do quanto ainda estamos longe de saber lidar com isso. Comentou sobre o fato de que a mídia tradicional tem simplesmente reproduzido sua produção offline em meios online, sem se dar conta do que de fato é ser interativo e sem criar distinção de conteúdo.
Muitas vezes a Web e o impresso trazem as mesmas notícias, gerando a tal “crise” da imprensa, que pode ser resumida como uma ampla falta de entendimento sobre mídias sociais e suas possibilidades, além da dificuldade de quebrar conceitos e rever a forma como o jornalismo tem sido feito nos últimos 500 anos.
Ele falou ainda sobre a mesma mídia que elegeu e derrubou Collor, mas não teve o mesmo poder sobre Lula, que se manteve popular a despeito de todos os escândalos e conquistou a reeleição. Segundo Caio, essa é apenas mais uma demonstração do quanto a mídia não é mais capaz de influenciar como antes, o que de certa forma também comprova o fato de que as pessoas têm cada dia mais buscado em seus pares (ou seja, na Web) informações para tomar decisões importantes.
Um dos pontos mais interessantes da conversa foram os exemplos usados para ilustrar a rapidez com que ferramentas como o celular, blogs e Twitter mudaram momentos históricos. Contou sobre a passeata contra o atentado em Madrid, que foi organizada e mobilizada via SMS. Falou ainda sobre como os paulistanos organizaram via torpedo e messenger o toque de recolher durante o levante do PCC em São Paulo – toque este que não havia sido decretado pelas autoridades. Lembrou do caso do avião que caiu no rio Hudson, em Nova York, e foi primeiramente “noticiado” via Twitter.
A força dessas ferramentas já é fato. Todos nós somos atingidos por elas, positiva ou negativamente. Governo, cidadãos, empresas, imprensa, consumidores, todos precisam se esforçar para entender essa revolução e seus novos papéis diante das mudanças. E para influenciar ainda mais corações e mentes, vamos sortear o livro do Caio Túlio entre os cinco primeiros que comentarem este post.
Categorias: Blogosfera, Comunicação, Edelman, Imprensa, Jornais, Jornalismo, Livros, Política, Tecnologia.
Enviar por e-mail
Compartilhar:
![]()
Maravilha, Thiane, o “pão fresquinho” no Twitter é a prova de que, quanto mais universais são as novas mídias, mais elas servem à nossa aldeia…
:o)
Continue nos contando suas impressões, sentimos daqui o cheirinho do pão. Abraços.
Pos é, estamos bem longe de aprender a lidar com isso, o governo, as empresas e até certos veículos ainda não aprenderam a ouvir, só gostam de falar e adotam posições unilaterais…
Vale ressaltar que no meio de tantas dúvidas que surgem nesses novos tempos da comunicação, uma que me intriga é pensar no nosso trabalho tradicional de assessoria de imprensa, no modo como fomos talhados para trabalhar até agora e que também tinha os veículos de imprensa (e jornalistas) como únicos replicadores de notícias e como os maiores responsáveis pelo agenda setting. E de repente, este velho modelo ficou anacrônico, numa velocidade absurda. Agora, estamos diante de um novo cenário e precisamos trazer nossos clientes para esta nova realidade (muitos ainda são céticos). Temos muitos desafios pela frente!!
A discussão da ética no jornalismo se faz ainda mais necessária nos dias de hoje.
Em épocas de mídias digitais, aonde a questão da regulamentação do setor e a censura andam rondando a sociedade digital, a ética deve ser amplamente debatida para solucionarmos os problemas modernos que vão surgindo.
O lançamento do livro é um momento propício para se fazer uma reflexão a respeito do tema.
opa
Ótima iniciativa em lançar um livre que trate da ética no jornalismo em tempos de web. As mudanças na comunicação estão cada vez mais rápidas, precisamos de novas reflexões!
Instigante o subtítulo do livro, “uma moral provisória”. Uma forma de tentar conceituar uma era do mutável, do instântaneo. Estudos como este do Caio Túlio são importantes para refletirmos sobre essas mudanças no campo da mídia, que novas éticas se formam ( se é que isso é possível). A mídia tradicional se apropria dos meios eletrônicos devido ao espaço mais amplo e atualizações constantes. Basta observar nos jornais impressos e até mesmo nos telejornais a indicação de saiba mais no nosso portal… É preciso refletir também como isso muda as relações de trabalho dos jornalistas, que papéis eles passam a desenvolver com a invasão do mundo virtual.
Ferramentas de midias sociais como o twitter podem ser modismos, mas também trazem em si o novo a velocidade, alcançam multidões, podem fazer revoluções.
Que todos os tipos de ferramentas sociais implicam de forma positiva e negativa é fato. Mas até onde conseguirei acompanhar devidamente meu twitter, flickr, facebook, meme… e ainda sim terminar o trabalho a ser feito?
É, inclusive outro dia desses teve o caso que já estão chamando de twittergate, um político (se não me engano na Alemanha) usou o twitter para antecipar o resultado de uma votação e deu no que deu… Agora estou louco para ler o livro do Caio Túlio!!
Os casos apontados pelo autor já foram bastante explorados por outras obras, inclusive de autores europeus e estadunidenses. Ainda assim, me interesso, em especial, por sua reflexão sobre o cenário brasileiro e, principalmente, fico curiosa para entender a “moral provisória” que acompanha o título desta publicação.
Muito interessante. Certamente vou buscar esta publicação - especialmente porque estou fazendo um doutorado e, através dele, pesquisando a comunicação através dos blogs.
Espero ter a sorte de ser sorteada com o livro… ![]()
Trazer para o nível da consciência a reflexão a respeito detodos esses exemplos e mais alguns é mesmo imprescindível. Falar sobre as transformações e , quem sabe, não pequenas revoluções da imprensa e da comunicação pós- web é excelente. Mas o que importa de fato é descortinar maneiras de se lidar com isso. O *comofas?* Muitas vezes penso - pelas criticas feitas aos jornais (impressos) que eles estão quase mortos, obsoletos mesmo. Mas a gente sabe que isso não é verdade. E se sabe também que a transformação pela qual mais se espera é a que virá e se aplicará a eles. Tanto na forma como principamente na ética, nas relações com o leitor, na política, nas questões de poder e influência na sociedade etc
Já repararam que essa transformação existe já há muito tempo mas só se escrevem livros agora - após a saída de alguns jornalistas notáveis de seus jornais e seu posterior ingresso na web?
Mas…que sei eu?
Quem sabe?
Adorei o post e quero ganhar o livro.
Posso comentar 5 vezes?
Abraços,
Mateus d’Ocappuccino
O parte que me chamou atenção foi sobre sermos atingidos positiva e negativamente pelas tecnologias.
Particularmente, adoro e sinto necessidade de estar conhecendo e utilizando novas tecnologias mas sei que quanto mais absorvo as facilidades que proporcionam, fico mais e mais dependente. A isso eu chamo de comodidade.
Quem não quer, atualmente, facilitar sua vida com “instrumentos” que podem auxiliar? Talvez poucos.
As tecnologias de maneira geral, auxiliam os preguicosos -como eu, nas tarefas diárias, na comunicação rápida e instantânea. Em fim…a tecnologia faz parte da vida moderna.
O parte que me chamou atenção foi sobre sermos atingidos positiva e negativamente pelas tecnologias.
Particularmente, adoro e sinto necessidade de estar conhecendo e utilizando novas tecnologias mas sei que quanto mais absorvo as facilidades que proporcionam, fico mais e mais dependente. A isso eu chamo de comodidade.
Quem não quer, atualmente, facilitar sua vida com “instrumentos” que podem auxiliar? Talvez poucos.
As tecnologias de maneira geral, auxiliam os preguicosos -como eu, nas tarefas diárias, na comunicação rápida e instantânea. Em fim…a tecnologia faz parte da vida moderna.
Coomo aluno de Comunicação, esse livro me parece muito interessante pra dialogarmos sobre a questão mídia impressa x Internet!
Parabéns ao senhor Caio Túlio Costa!
Já coloquei na minha lista das próximas leituras. Tenho discutido com meus alunos o papel das novas ferramentas, principalmente dos blogs, o impacto nas últimas eleições. Valeu a dica!
Não houve tal coisa de a mídia ter derrubado o Collor. Ajudou a construí-lo sim e o apoiou-o quase até o final. No mais, sempre e rebarbativamente, se pautou pela pauta. É uma aberração a generalização do mito do jornalista heroico, defensor da democracia (houve sim, indivíduos heroicos e não uma categoria profissional) destruidor de tiranos. Em cada movimento histórico, sempre foi mais fácil encontrar jornalistas incitando a violência contra o povo (Canudos, Contestado, Revolta da Armada, 64) ou apoiando ditadores que o contrário. Faz falta um movimento ético de reconhecimento do papel pernicioso da imprensa para que esta mereça o nosso respeito.
Esse é um tema atual e muito revelante. É preciso, sim, discutir e pensar sobre internet, redes sociais, como usá-las, legislação e, principalmente, como ações pequenas podem ganhar grandes proporções na web.
Nossa!! Quero demais ganhar esse livro!!
É meu! Eu quero muito!
não tem o video da palestra dele?
interessante o assunto e muito oportuno em se tratando de RP… as profissões da comunicação ganham novos olhares e novos desafios com as novas mídias.
Hoje um jornalista que não entende redes sociais e não aproveita o potencial da internet não conseguirá se fazer ouvir e respeitar pelos demais.
A internet é um instrumento de troca, de produção e de estocagem de informações. Como disse Pierre Lévy, em seu artigo “A revolução contemporânea em matéria de comunicação“, o ciberespaço funciona com um esquema “todos para todos“, pois permite a reciprocidade na comunicação e a partilha de um contexto. Ele abriga milhares de grupos de discussões. O conjunto desses fóruns eletrônicos constitui a paisagem movediça das competências e das paixões permitindo assim atingir outras pessoas, não com base no nome, no endereço geográfico ou na filiação institucional, mas segundo um mapa semântico ou subjetivo de centros de interesse.
O WWW, permite interconectar por meio de vínculos hipertextos todos os documentos digitalizados do planeta e torná-los acessíveis com alguns cliques a partir de qualquer ponto do globo. Trata-se, provavelmente, da maior revolução na história da escrita desde a invenção da imprensa, com Gutenberg. O ciberespaço contém a informática a distância, o telefone, o correio, a imprensa, de edição de livros, de música, de vídeos, de jogos interativos, o rádio, a televisão e os mundos virtuais, tudo disponível para as pessoas que moram em todos os continentes, países, estados, capitais e cidades do planeta. Mas, esse novo sistema também pode haver falhas na comunicação.
Até o surgimento da internet, o espaço público de comunicação era controlado por meios intermediários institucionais que preenchiam uma função de filtragem e de difusão entre os autores e os consumidores de informação. Com a ascensão do ciberespaço, cria-se uma situação de desintermediação. Quase todo mundo pode publicar um texto sem passar por uma editora nem pela redação de um jornal.
O mesmo vale para todos os tipos de mensagens possíveis e imagináveis. Passa-se, assim, de uma situação de seleção das mensagens atingindo o público a uma nova situação na qual o internauta pode escolher um conjunto mundial muito mais amplo e variado, não triado pelos intermediários tradicionais. Isso levanta imediatamente questões relativas à pertinência e à garantia de autenticidade das informações. Podendo qualquer um publicar o que bem entender, surge o questionamento se no ciberespaço não há garantia quando à qualidade das informações.
Já que o tema também é novas mídias, descobri este post pelo Twitter da Edelman, que estou seguindo desde que me cadastrei na rede.
Ainda acho que a grande maioria das empresas ainda não entendeu como o Twitter pode ser útil. Veículos de comunicação fazem do Twitter uma espécie de RSS, onde só atualizam as notícias. Algumas empresas também acham que é só mais uma forma de soltar releases. Tenho fé que o circo ainda vai pegar fogo quando as empresas entenderem que os comentários devem ser como uma conversa mais pessoal, onde o seguidor se sentirá em contato próximo com a empresa.
Há pouco tempo o jogador Shaquille O´Neal gerou uma certa polêmica quando, no intervalo de um jogo do time dele, o Phoenix Suns, ele postou um comentário. Os seguidores dele ficaram surpresos pois nunca esperavam que ele postaria algo no meio do jogo. A cúpula da NBA, ao invés de repreender, passou a incentivar não só ele, mas todos os jogadores a fazer o mesmo. Claro, sempre respeitando a decisão do treinador do time, que pode apoiar também ou vetar que isso seja feito para os jogadores não perderem a concentração.
A decisão dos comissários da NBA mostra que eles entendem que este tipo de ação atrai ainda mais público para as notícias que envolvem a liga de basquete e seus jogadores.
Abs para todos aí na Edelman. Tenho saudades…hehehehe…
Vinícius Romero
O livro de Caio Túlio traz uma discussão à tona muito importante. A ética e o modo como devemos encarar os meios de comunicação de massa mudou e muito com os veículos eletrônicos.
A questão da influência é um ponto muito interessante, pois com a fragmentação da audiência, as pessoas passam a se reunir em espaços virtuais em comum aos seus interesses.
A ética também ganha destaque neste debate, pois esbarra em uma questão muito sensível, que é a censura (vide a Lei AZEREDO em tramitação no Congresso Nacional).
Olá, recebi o aviso pelo twitter e cá estou eu.
O assunto é muito interessante e gostaria de participar do sorteio.
Forte abraço,
Ednilson Gomes
Os livros do Caio Túlio são ótimos. Quero participar.
Gente, não tenho palavras pra agradecer todos os comentários. Como eles são moderados e ontem não pudemos fazer a moderação por conta dos esforços na crise da Air France, vamos sortear o livro entre todos vocês.
Sim, a discussão sobre a ética, as mudanças quase instantâneas pelas quais estamos passando e os desafios de se comunicar nesse cenário é extramente relevante. Mas acredito que chegaremos a um momento em que isso se tornará natural no nosso dia-a-dia e que os éticos e transparentes triunfarão. Espero que continuem lendo o blog e acompanhando o nosso Twitter. Abraços
This is a Flickr badge showing public photos from Edelman Brasil. Make your own badge here.