Publicado em: 22/09/2009 Autor: Thiane Loureiro
Recentemente a Wikimedia Foundation, organização responsável pela Wikipedia, determinou nos Estados Unidos que, dentro de alguns meses, todas as edições feitas em perfis de personalidades ainda vivas devem passar pela aprovação de um grupo de experientes editores, designados a checar a veracidade das informações alteradas. A iniciativa, chamada de “flagged revisions“, começará a valer, por enquanto, para a Wikipedia em inglês, mas a intenção é estender a regra a outros idiomas e os mais de 13 milhões de artigos.
Aproximadamente 120 milhões de pessoas no mundo inteiro consultam a Wikipedia todos os meses. Quando ganhou popularidade por volta de 2004, a enciclopédia teve sua credibilidade questionada por propor que a correção e a profundidade das informações fossem controladas pelos próprios usuários. Com o tempo, conquistou confiança e passou a ser referência até mesmo para grandes jornais como o The New York Times e o The Guardian. A pesquisa Trust Barometer, da Edelman, mostra que mais de 24% dos internautas no Brasil acreditam no que lêem na Wikipedia.
Mas como a Internet simplesmente espelha o mundo offline — e ética tem a ver com gente –, não faltaram dados falsos, calúnias e abusos. Com isso, a “democracia” da Wikipedia fica em xeque. É possível continuar dependendo da comunidade e sua autorregulação quando se é fonte de informação? Pelo jeito, a resposta é não. Sendo assim, a Wikipedia incorpora restrições, divide seus usuários em níveis, concede permissões diferenciadas e se protege como qualquer outra mídia.
Há bastante tempo venho questionando a forma como tratamos a Internet. Temos a tendência de nos distanciar de nós mesmos quando entramos no universo virtual, como se de fato mergulhássemos em outra esfera, completamente desconexa da nossa vida real, e como se o que fizéssemos no online não trouxesse consequências, às vezes drásticas, para o offline.
Isso faz com que não pensemos Internet como um elemento da nossa própria história e aquilo que nos perpetuará por gerações futuras. Assim como o Coliseu nos permite saber sobre os romanos, arquivos digitais e catálogos online serão os principais meios pelos quais seremos conhecidos daqui a alguns milhares de anos.
Herança Digital é um assunto que vem sendo estudado e debatido principalmente pela Unesco e entidades acadêmicas. A preocupação primordial é com a preservação da cultura e da arte, mas já se começa a pensar também patrimônio comportamental. Alguns desafios são os espaços de armazenamento, formatos de arquivo e compatibilidade. Todos os anos, terabytes de informações simplesmente desaparecem.
A Wikipedia entra nesta discussão como uma grande base de dados que precisa ser encarada como um registro da nossa sociedade. Ideal seria cada um de nós zelar pelos conteúdos que desenvolvemos e encará-los como testemunhos da nossa era. Mas se não temos maturidade para isso, talvez tenhamos que nos submeter a controles.
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Olá Thiane,
bom chegar ao teu blog, após tantas trocas no Adoteumparágrafo!
Acho que o que pode conferir algo de diferente ao caso da Wikipedia é que é provavelmente será possível obter “permissões” mais amplas a medida em que a pessoa invista na sua produção, isso é, comece a ser vista como um autor que produz bem e que atua de forma responsável naquele espaço coletivo. Então, quem está “submisso” ao controle, pode passar a membro das decisões sobre esse controle.
É claro que isso é lindo na teoria, na prática haverá sempre uma negociação política na história, pois mesmo ao nos propormos a colaborar teremos momentos de maior ou menor flexibilidade, maior ou menor paciência para os desentendimentos inevitáveis, etc…
abços
Lilian
Oi Lilian, que bom que você passou por aqui! Concordo que pelo menos existe a chance de galgar posições maiores no Wikipedia, mas como você bem falou, tudo é muito lindo na teoria. Beijos
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